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Arquitetura em Nuvem

Esta seção trata de nuvem como modelo arquitetural. Não é um tutorial de AWS, Azure ou GCP — exemplos usam os três, mas os princípios precedem qualquer um.

O problema desta seção

A nuvem muda três coisas de forma fundamental: capacidade vira variável em vez de constante, falha de infraestrutura vira evento rotineiro e previsto, e custo vira consequência direta de decisão arquitetural.

O terceiro é o mais subestimado. Em datacenter próprio, o custo é decidido uma vez, na compra, e a arquitetura opera dentro dele. Na nuvem, cada decisão de design — quantas réplicas, qual região, síncrono ou assíncrono, quanto tráfego atravessa zona — reaparece na fatura todo mês. Custo deixa de ser assunto de finanças e vira atributo de qualidade, com o mesmo estatuto de disponibilidade.

A armadilha oposta também é real: tratar a nuvem como datacenter alugado. Migrar máquinas virtuais sem mudar nada produz um sistema que herdou o custo da nuvem e nenhuma das suas propriedades.

O que você vai encontrar aqui

Modelos de serviço. IaaS, PaaS e SaaS. Menos como taxonomia e mais como gradiente de quanto controle você troca por quanta operação deixa de fazer.

Unidades de execução. Containers, Kubernetes, serverless e serviços gerenciados. Cada um com a faixa de carga e a maturidade de time em que se paga.

Topologia física. Regiões, zonas de disponibilidade e rede. É onde a promessa de disponibilidade encontra a geografia, e onde a latência entre componentes deixa de ser desprezível.

Recursos. Identidade, storage e compute como primitivas arquiteturais.

Continuidade. Multi-região e disaster recovery, derivados de RTO e RPO em vez de escolhidos por ambição.

Economia. Arquitetura de custo — como estimar antes, medir depois e atribuir gasto a decisão.

Dependência. Cloud-native e vendor lock-in, tratados como um trade-off quantificável e não como questão ideológica.

Ordem de leitura

Comece por regiões e zonas de disponibilidade. Sem isso, discussões sobre alta disponibilidade ficam sem chão físico.

Leia arquitetura de custo antes de serverless e Kubernetes, não depois. As duas decisões mais caras da nuvem — granularidade de serviço e volume de tráfego entre zonas — são decisões de custo disfarçadas de decisões técnicas.

Deixe multi-região para o fim, e leia junto com Confiabilidade. Multi-região é a solução mais frequentemente adotada sem que ninguém tenha escrito o RTO exigido.

Ao terminar

Você decide entre gerenciado e autogerido com um argumento que inclui custo total, não só mensalidade. Projeta topologia derivando de RTO e RPO declarados. Estima a fatura de um desenho antes de construí-lo.

E consegue dizer, sobre lock-in, quanto custaria sair — em meses e em dinheiro — em vez de repetir que é ruim.

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