Skip to main content

Documentação de Arquitetura

Documentação de arquitetura existe para que alguém — frequentemente você, daqui a dois anos — consiga decidir melhor. Todo o resto é cerimônia.

O problema desta seção

Dois fracassos simétricos. No primeiro, não há documentação: o conhecimento vive na cabeça de três pessoas e sai pela porta quando elas saem. No segundo, há documentação demais: cem páginas geradas para um comitê, desatualizadas no mês seguinte, que ninguém lê porque ninguém confia.

O segundo é pior, porque consome esforço e produz falsa segurança.

A saída não é escrever mais nem menos, e sim escrever para uma audiência específica com uma decisão específica em vista. Um diagrama que não muda nenhuma decisão de ninguém não precisa existir.

A pergunta que este material aplica a cada artefato: quem vai ler isto, e que decisão vai tomar melhor por causa disto?

O que você vai encontrar aqui

Princípios. O que documentar, para quem e com que durabilidade. Separar o que muda toda semana do que muda a cada dois anos, e documentar cada um de forma diferente.

O modelo C4. Contexto, container, componente e código — como quatro níveis de zoom, cada um para uma audiência. Inclui o nível que quase nunca vale a pena manter.

Outras visões. Diagramas de implantação, sequência e fluxo de dados. Cada um responde a uma pergunta que os demais respondem mal; diagrama de sequência é o mais subutilizado dos três.

Estrutura. Visões de arquitetura e descrições de arquitetura — como organizar para que audiências diferentes encontrem o que precisam.

Sustentação. Documentação viva e padrões de documentação. Como manter perto do código para que a defasagem seja visível.

Qualidade de diagramas. Notação consistente, legenda, densidade. Um diagrama com quarenta caixas e nenhuma legenda transfere zero informação com muito esforço.

Sobre a ferramenta

Este repositório usa Mermaid para tudo. A razão é arquitetural: diagrama em texto fica versionado, aparece em diff e é revisado como código. Um diagrama que vive num arquivo binário numa pasta compartilhada está desatualizado agora e ninguém sabe.

Ordem de leitura

Comece por princípios e pela pergunta de audiência. Sem isso, C4 vira formato a preencher.

Depois C4, que é a estrutura de zoom mais útil disponível. Depois diagramas de sequência, que cobrem o que o C4 não cobre: comportamento no tempo, especialmente em cenário de falha.

Qualidade de diagramas por último, como critério de revisão.

Ao terminar

Você escolhe a visão certa para a audiência certa e sabe justificar por que não produziu as outras. Produz diagramas em que cada elemento carrega informação.

E consegue apagar documentação sem ansiedade quando ela deixou de servir a alguém.

Continua em

Decisões de Arquitetura — o registro do porquê, que é a parte que diagramas não capturam.